
(Foto: Internet)
Policiais federais cumpriram
mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em
um condomínio no Jardim Botânico, área nobre do Distrito Federal, na manhã
desta quarta-feira (3). Ele terá que prestar depoimento na sede da corporação,
na área central da capital do país. Mesmo lugar onde depôs semana passada em outra
investigação.
Dessa vez, o ex-presidente é
um dos alvos da operação que apura fraudes sobre a inserção de dados falsos de
vacinação da Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde. A fraude serviria para
permitir viagens internacionais do ex-chefe do Executivo, familiares e
assessores.
Na mesma operação, federais
prenderam preventivamente seis pessoas, incluindo militares que trabalhavam na
Presidência da República no mandato de Bolsonaro. Entre eles o ex-ajudante
de ordem dele, o tenente-coronel Mauro Cid Barbosa, que mora em Brasília.
Outro alvo de mandado de prisão é Sergio Cordeiro, que atuava na equipe de
segurança de Bolsonaro.
Os dois se mudaram para os
Estados Unidos com Bolsonaro, quando ele deixou o país, antes do término do
mandato, para não passar a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem citar nomes, a PF
divulgou nota informando que operação, batizada de Venire, visa “esclarecer a
atuação de associação criminosa constituída para a prática dos crimes de
inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas SI-PNI e
RNDS do Ministério da Saúde”.
Ao todo estão sendo
cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão
preventiva, em Brasília e no Rio de Janeiro, além de análise do material
apreendido durante as buscas e realização de oitivas de pessoas que detenham
informações a respeito dos fatos.
“As inserções falsas, que
ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, tiveram como consequência
a alteração da verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, a
condição de imunizado contra a Covid-19 dos beneficiários. Com isso, tais
pessoas puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los
para burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos
(Brasil e Estados Unidos) destinadas a impedir a propagação de doença
contagiosa, no caso, a pandemia de covid-19”, diz a PF.
“A apuração indica que o
objetivo do grupo seria manter coeso o elemento identitário em relação a suas
pautas ideológicas, no caso, sustentar o discurso voltado aos ataques à
vacinação contra a Covid-19”, completa.
As ações ocorrem dentro do
inquérito policial que apura a atuação do que se convencionou chamar “milícias
digitais”, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os fatos investigados
configuram em tese os crimes de infração de medida sanitária preventiva,
associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e
corrupção de menores.
O nome da operação deriva do
princípio “Venire contra factum proprium”, que significa "vir contra seus
próprios atos", "ninguém pode comportar-se contra seus próprios
atos". É um princípio base do Direito Civil e do Direito Internacional,
que veda comportamentos contraditórios de uma pessoa.
Fonte: O Tempo