
(Foto: Alexandre Kapiche/g1)
Ao menos 104
pessoas morreram, entre elas oito crianças, em Petrópolis, na Região Serrana do
Rio, após deslizamentos e alagamentos causados pelas fortes chuvas que
atingiram a cidade na tarde de terça-feira; 377 pessoas estão desabrigadas.
Vários pontos do centro estão bloqueados e as aulas da rede pública foram
suspensas. A prefeitura orienta que os moradores evitem sair de casa e é
prevista chuva de fraca ou moderada intensidade nesta quarta-feira, 16.
Segundo o órgão,
foram contabilizados 229 ocorrências, dos quais 189 são por deslizamentos. Mais
de 180 militares trabalham no atendimento à população. Equipes especializadas
em busca e salvamento foram enviadas para reforçar o socorro, com apoio de viaturas
do tipo 4x4 e botes. Oito ambulâncias extras foram empenhadas para atender a
região e outras 10 viaturas do Corpo de Bombeiros do Estado foram enviadas para
a cidade na madrugada desta quinta-feira.
No local conhecido como Morro da Oficina, no
Alto da Serra, a Defesa Civil estima que 80 casas tenham sido afetadas. Em
outras regiões, como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila
Felipe, Vila Militar e nas ruas Uruguai, Whashington Luiz e Coronel Veiga
também há registros de ocorrências. Foram mobilizados agentes de diversas
secretarias, como de Obras, Serviço, Segurança e Ordem Pública, Saúde,
Educação, além da Companhia Municipal do Desenvolvimento de Petrópolis e
CPTrans para atender a população.
Até a última
atualização da Defesa Civil, 184 pessoas estão recebendo suporte da prefeitura
nos pontos de apoio, que foram abertos no Centro, São Sebastião, Vila Felipe,
Alto Independência, Bingen, Dr. Thouzete e Chácara Flora."Orientamos a
população que ao sinal de qualquer instabilidade nas áreas em que residem, que
procure o ponto de apoio e nos acionem", destacou o secretário de Defesa
Civil, o Tenente Coronel Gil Kempers. Em caso de emergência, a Defesa Civil
orientar ligar 199.
Em uma hora choveu 113 milímetros em
Petrópolis - em seis horas, a chuva atingiu 175 milímetros, o equivalente a um
mês inteiro. Além de dezenas de pontos de alagamento, o temporal arrastou
carros e causou a queda de barreiras.
A Rodovia Rio-Petrópolis foi parcialmente
interditada na altura do km 82, nas imediações do terminal rodoviário do
Bingen, devido à queda de uma barreira. A prefeitura informou ainda ter
decretado estado de calamidade pública em virtude das fortes chuvas que
afetaram a cidade. "Equipes dos hospitais foram reforçadas para o
atendimento de vítimas. Além da Defesa Civil, agentes da Companhia Municipal de
Desenvolvimento de Petrópolis, de Serviços, Segurança e Ordem Pública, de Obras
e de demais áreas do governo seguem no suporte às 95 ocorrências registradas
até o momento".
Segundo a
prefeitura, trechos inundados ou alagados por causa do volume elevado de chuva
começaram a ser liberados, facilitando o acesso do socorro por parte dos órgãos
competentes, como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. O núcleo de chuva que
atuou no município se afastou da cidade no fim desta terça-feira, segundo a
prefeitura, mas permanece a previsão de chuva nas próximas horas, com
intensidade fraca a moderada.
A maior parte dos deslizamentos foi
registrada nas localidades do Quitandinha, Alto da Serra, Castelânea, Centro,
Coronel Veiga Duarte da Silveira, Floresta, Caxambu e Chácara Flora. Houve
alagamentos por diversos pontos da cidade - os 11 registrados pela Defesa Civil
foram das regiões do Alto da Serra, Corrêas, Centro e Mosela.
Em 2011, as
fortes chuvas na Região Serrana do Rio deixaram mais de 900 mortos. É
considerada a maior tragédia climática da história do Brasil. Em 2001, foram 57
mortos em Petrópolis. Em 2013, outra tragédia por causa da chuva, com 33
mortos.
'Situação quase de guerra', diz governador do Rio
O governador do Rio, Claudio Castro, esteve
no Morro da Oficina, em Petrópolis, o local onde houve mais deslizamentos e
vítimas, onde estão concentrados os esforços de resgate. Ele descreveu o
cenário como uma "situação quase que de guerra".
Pelo menos 24 pessoas foram resgatadas com
vida. "Toda a nossa equipe está mobilizada: Corpo de Bombeiros,
secretarias e demais órgãos do estado", afirmou o governador."Atuamos
no resgate e salvamento de vítimas, desobstruindo estradas, atendendo pessoas
que perderam seus bens, com medicamentos e remoções, entre outras ações."
O secretário de Estado de Defesa Civil,
coronel Leandro Monteiro falou sobre o trabalho de resgate. "Há uma grande
equipe concentrada no Morro da Oficina, onde acreditamos ter o maior número de
vítimas ainda soterradas", disse Monteiro. "Estamos com 400 militares
mobilizados e atuando em 44 pontos atingidos pelo temporal. Montamos um
hospital de campanha com 10 leitos onde as vítimas recebem o primeiro
atendimento."
Bolsonaro pede auxílio imediato
O presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu aos
ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional)
"auxílio imediato" às vítimas das chuvas em Petrópolis (RJ).
"De Moscou
tomei conhecimento sobre a tragédia que se abateu em Petrópolis/RJ. Fiz várias
ligações para os Ministros @rogeriosmarinho e Paulo Guedes para auxílio
imediato às vítimas bem como conversei com o @DefesaGovBr General Braga Netto,
que me acompanha na Rússia", publicou no Twitter o presidente, que está em
visita oficial à Rússia.
De acordo com Bolsonaro, ele também conversou
com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). "Retorno na
próxima sexta-feira e, mesmo distante, continuamos empenhados em ajudar ao
próximo. Deus conforte aos familiares das vítimas", finalizou o chefe do Executivo,
na mesma rede social.
Região Serrana teve tragédia com mais de 900 mortos em 2011
Em 2011, a região serrana do Rio viveu outra
catástrofe natural por causa de chuvas e deslizamentos de terra, considerada a
maior catástrofe climática do Brasil. Na época, em poucas horas, um temporal na
madrugada do dia 12 de janeiro matou mais de 900 pessoas em três municípios -
130 em Teresópolis; 97 em Nova Friburgo; e 18 em Petrópolis, cidade atingida
pelas chuvas desta vez.
Fonte: Site Rádio Itatiaia