Ação
ocorreu entre os dias 6 e 14 de outubro. De acordo com os auditores-fiscais, os
trabalhadores estavam em situação degradante de trabalho, sendo que os menores
exerciam atividades relacionadas na Lista das Piores Formas de Trabalho
Infantil.
Quinze
trabalhadores foram resgatados vivendo em situação análoga à escravidão em uma
carvoaria no município de João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais, entre os
dias 6 e 14 de outubro. Entre os trabalhadores estavam dois menores de
idade. O empregador foi notificado, pagou as verbas rescisórias e providenciou
o retorno dos trabalhadores para os municípios de origem.
De acordo
com os auditores-fiscais, os trabalhadores viviam em situação degradante de
trabalho. Em relação aos dois menores de idade, eles
trabalhavam na derrubada de mata com uso de motosserra e utilizavam uma
machadinha. Ambas atividades são relacionadas na Lista das
Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP).
A carvoaria ficava em uma fazenda. Os trabalhadores
moravam em dois locais diferentes, mas em ambos não havia energia elétrica e
nem espaço para todos, fazendo com que alguns tivessem que dormir no chão
em varandas, sem proteção contra animais peçonhentos.
Em
relação à água que consumiam, ela era retirada de uma represa que ficava
próxima à sede da fazenda. A aparência era turva e amarelada. Para
poder consumir, os trabalhadores precisavam deixá-la decantando para reduzir
impurezas.
“O
recrutamento dessa mão de obra ocorrera nas cidades de São Francisco, Bonito de
Minas e Bocaiúva, todas no estado de Minas Gerais, com promessas de trabalho
com alojamento confortável, mas, ao chegarem à fazenda, os trabalhadores foram
surpreendidos com as condições oferecidas”, afirmou a Auditora-Fiscal do
Trabalho Andreia Donin, coordenadora da equipe do Grupo Especial de
Fiscalização Móvel (GEFM).
Encaminhamentos
Após ser notificado, o empregador pagou as verbas
rescisórias e providenciou o retorno dos trabalhadores para os municípios no
qual moravam. Além desses valores, os trabalhadores também receberam R$ 150 mil
por danos morais individuais e mais R$ 70 mil por danos morais coletivos.
Também foi entregue a eles as guias do
Seguro-Desemprego, que dão direito a receberem três parcelas de um salário
mínimo cada, no valor de R$ 1.100.
A fiscalização foi realizada pela Subsecretaria de
Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Previdência e contou
com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público
Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Rodoviária Federal
(PRF).
Operação
Ainda durante a operação, outros seis trabalhadores
foram resgatados em carvoaria no município de Buritizeiro.
Fonte: G1