
(Foto: Internet)
Uma fazenda na cidade de Presidente
Olegário foi flagrada, na última sexta-feira (27/8), oferecendo “cama de
frango” para a alimentação de bovinos. A prática é proibida pelo Ministério da
Agricultura (Mapa) por configurar fator de risco para o desenvolvimento de Encefalopatia
Espongiforme Bovina (EEB) clássica, o mal da vaca louca. O caso foi registrado
pela Polícia Militar do Estado, que atendeu a um chamado de apoio feito por
fiscais do serviço de defesa agropecuária de Minas Gerais.
Usado para forrar o piso dos galpões
de granjas, a cama de frango pode ser composta por materiais como maravalha,
palha de arroz, feno de capim, sabugo de milho triturado ou serragem. Mas
também contém restos animais, como fezes, urina e penas das aves que se
misturam com esse material e podem causar o mal da vaca louca e botulismo em
bovinos.
Procurado, o IMA informou que a
ocorrência foi registrada em uma “fiscalização de rotina”. O Estado é alvo de
investigação por suspeita de um foco de mal da vaca louca. O caso veio à tona
na última terça-feira (31/8), mas as autoridades não divulgaram qualquer
informação que relacione a ocorrência em Presidente Olegário ao processo em
análise no Ministério da Agricultura.
Em nota, o IMA também destacou que
“qualquer produto que contenha, em sua composição, proteínas e gorduras de
origem animal são proibidos na alimentação de ruminantes “ e “caso haja
confirmação laboratorial, os animais que consumiram tais alimentos são
eliminados”. Rico em nutrientes como nitrogênio, esse tipo de material tinha uso
comum na bovinocultura até ser proibido proibido, no início dos anos 2000.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira
(3/9), o superintendente técnico da Federação da Agricultura de Minas Gerais
(FAEMG), Altino Rodrigues Neto, afirmou que a entidade espera que “caso seja
positivo [a suspeite da doença], que seja confirmado como uma BSE ou Vaca Louca
atípica, que não é aquela clássica onde há o consumo de proteína animal na
alimentação” e ressaltou que o Brasil, mantém um “protocolo muito rigoroso
proibindo o uso de farinha de carne ou proteína animal na alimentação dos
animais”.
Caso em SP
Em agosto, a Defesa Agropecuária de
São Paulo também constatou o uso de cama de frango na alimentação de bovinos,
em uma propriedade rural no município de Álvares Florence, interior do Estado.
A fazenda possuía 24 bovinos e não estava cadastrada junto ao serviço
veterinário oficial e o caso foi confirmado em laudo emitido em 12/8 pelo
Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA).
Segundo analistas que acompanham o
mercado de boi gordo, a confirmação de um possível foco de mal da vaca louca
clássico poderia levar a um bloqueio total das exportações brasileiras, dado o
risco que a doença representa. Já o caso atípico, comum em animais mais velhos,
poderia gerar apenas a suspensão momentânea para a China, seguindo protocolos
sanitários já estabelecidos com o país. Em 2019, quando o Brasil registrou um
caso atípico pela última vez, essa suspensão durou treze dias.
“Nesses momentos, em que a nutrição
animal encarece muito, sempre entra no radar o uso de outros produtos que,
muitas vezes, não são indicados e até proibidos para a alimentação bovina. Como
é o caso de cama de frango e farinha de osso”, observou o consultor Stefan
Podsclan, em podcast divulgado pela consultoria Agrifatto. “A gente sabe
que ainda tem muita gente que usa isso e isso é proibido. Quem está fazendo
isso está fora da lei e coloca um país e um setor inteiro em risco”,
completa a diretora da consultoria, Lygia Pimentel.
Fonte: Sputnik Voz do Povo