
(Foto: G1)
Rios próximos às cidades de Araxá, Ibiá, Patrocínio, Prata e
Uberlândia tiveram casos recentes de morte dos animais. Em alguns casos, água
também será analisada para descartar ou confirmar contaminação.
Casos de mortandade de peixes têm sido registrados no
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, e uma das principais causas podem ser as
baixas temperaturas, poucas chuvas e registros de geadas nas regiões.
O G1 fez um levantamento com o Instituto Estadual de
Florestas (IEF), o Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) e equipes da Polícia
Militar de Meio Ambiente, que registraram diversas ocorrências de mortandade de
peixes, principalmente por conta do tempo, além de um outro causado por
descarte irregular.
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (Semad), a mortandade em massa de peixes pode ser
definida como eventos repentinos e inesperados, na natureza ou em criatórios e
que esses eventos podem ser desencadeados por doenças, alterações ambientais ou
poluição, tanto acidental quanto deliberadamente e até mesmo por fenômenos
naturais. Rios próximos às cidades de Araxá (veja vídeo no fim da reportagem),
Ibiá, Patrocínio, Prata e Uberlândia tiveram registros recentes.
Processo
natural

Folhas secas que caem nos rios podem influenciar diretamente
em casos de mortandade de peixes no Triângulo e Alto Paranaíba — Foto: Maxwel
Costa/ TV Integração
Quando causado de forma natural, diversos processos ocorrem
para ser registrado mortandade de peixes. “Nesse período a quantidade de água
diminui bastante e a quantidade de matéria orgânica aumenta, porque, como tem
geada e seca prolongada, as árvores vão perder as folhas, que vão parar dentro
do rio”, explicou o cabo da Polícia Militar de Meio Ambiente, Washington Silva.
Ainda segundo Silva, a folha em decomposição gera alguns
compostos tóxicos e matéria orgânica, que vão alimentar algas. Essas algas
diminuem a oxigenação da água e altera o pH. “Então sempre nessa época da seca
tem ocorrência de mortandade de peixes”, completou o policial.
De acordo com a Semad, de fato esse período do ano, que
coincide as menores temperaturas com a estiagem, afeta os peixes, já que eles
também são sensíveis às mudanças térmicas.
“Outro ponto é que neste período, por conta do baixo índice
de precipitação, os corpos d’água reduzem o seu volume, favorecendo a
concentração de poluentes, diminuição de área e recursos disponíveis para
ictiofauna [conjunto de peixes de uma região] e adensamento de peixes em
pequenas áreas, o que pode levar à morte por falta de oxigenação ou estresse”,
detalhou a secretaria em nota.
Registros

Mortandade de peixes foram registradas em rios próximos a
Araxá — Foto: Maxwel Costa/ Divulgação
Silva é da equipe da PM de Meio Ambiente de Araxá e informou
que, em cidades próximas, já foram registrados casos de mortandade de peixes
nos rios Quebra Anzol, Tamanduá e Rio Capivara, todos da bacia hidrográfica do
Rio Araguari.
Na cidade de Prata, alguns registros de peixes mortos foram
constatados nos rios da Prata, Tejuco, Verde e do Peixe. Nestes casos ainda não
souberam afirmar os motivos, mas que foram constatados em vários pontos e que
algumas empresas serão notificadas para realizarem a análise da água.
Em Uberlândia, houve um caso que se distingue dos registrados
nos outros pontos. No dia 10 de agosto, no Parque Linear do Rio Uberabinha, no
Bairro Jaraguá, foi registrado caso de mortandade de peixes, em um “pequeno
lago”, que segundo a PM de Meio Ambiente, “secou devido à estiagem ou devido à
captação de água realizada”. Um suspeito foi autuado administrativamente por
captar água sem autorização.
O NEA ainda constatou no dia 11 de julho um caso de
mortandade no Rio Uberaba, também em Uberlândia, como “suposta causa” um
descarte irregular de efluentes de tratamento de água.
O IEF, através do Núcleo do Alto Paranaíba, foi informado de
pelo menos 8 pontos de mortandade de peixes na região, sendo além de Araxá e
Ibiá, também em Patrocínio.
Volta das chuvasOuto período que pode causar a morte em massa dos peixes é
quando se inicia o período de chuvas nas regiões, de acordo com a Semad.
“A precipitação carreia [transporta] poluentes e outros
materiais que se acumularam durante o período seco nas plantas, solo e
superfícies, para os corpos hídricos causando alterações e levando à morte de
peixes”, detalhou na nota.
Fonte: G1