
(Foto: Reprodução WD Agroindustrial)
O presidente
Jair Bolsonaro assinou ontem (11), em cerimônia no Palácio do Planalto, medida
provisória (MP) que autoriza a venda de etanol por produtores ou importadores
diretamente aos postos de combustíveis. O ato dispensa a intermediação de
empresas distribuidoras, que era obrigatória e passa a ser facultativa,
incentivando novos arranjos de negócios.
A MP, que trata de aspectos
regulatórios e tributários da comercialização de etanol, também flexibiliza a
fidelidade à bandeira, ou seja, permite que postos que exibem determinada marca
comercial revendam combustíveis de outros distribuidores. Segundo o Ministério
de Minas e Energia (MME), o novo modelo de revenda é facultativo, e os
contratos em vigor devem ser respeitados.
O ministro de Minas e Energia, Bento
Albuquerque, disse que o consumidor precisa ser devidamente informado sobre os
diferentes produtos e serviços oferecidos pelos postos. “Hoje, estamos
avançando no aprimoramento do mercado de combustíveis e, com os ministérios da
Economia e da Agricultura, demos um passo importante em benefício do
consumidor”, afirmou o ministro durante a cerimônia de assinatura da MP.
O objetivo do governo é propiciar
mais eficiência logística para o setor. De acordo com o MME, a medida está
alinhada aos princípios da política energética nacional e promove a abertura do
mercado e o aumento da concorrência, com potencial redução dos preços dos
combustíveis, trazendo benefícios importantes para o consumidor final.
Albuquerque acrescentou que o
Brasil conta com mais de 120 mil agentes, entre refinarias de petróleo, usinas
de etanol, produtores de biocombustíveis, importadores, distribuidores e
revendedores varejistas, atundo no mercado de combustíveis. Com a efetiva
abertura do setor, o governo espera, a partir de 2022, até oito novos agentes
no segmento de refino de petróleo, “competindo entre si, com a Petrobras e com
importadores, fornecendo produtos para distribuidores e revendedores,
impactando na dinâmica de todas as etapas da comercialização”.
Desse modo, o governo vai
trabalhar com o Congresso Nacional para aprimorar o arcabouço regulatório do
setor, “visando criar as condições necessárias para desejados investimentos em
infraestrutura no setor”, explicou o ministro. Para ser transformada em lei, a
MP precisa ser analisada e votada pelos parlamentares em até 120 dias.
Bento Albuquerque destacou ainda
que o Brasil é o quarto maior mercado de combustíveis do mundo. Em 2020, foram
comercializados no país 57 bilhões de litros de óleo diesel, 36 bilhões de
litros de gasolina e 23 bilhões de litros de etanol hidratado.
Aspectos tributários
Em nota, a Presidência da
República explicou que, para não haver renúncia de receitas, o texto da prevê
que as alíquotas aplicáveis à venda direta de etanol serão aquelas decorrentes
da soma das alíquotas atualmente previstas para o produtor ou importador com
aquelas que seriam aplicáveis ao distribuidor, conforme a Lei 9.718/98.
A MP ainda retira a desoneração
tributária na venda de álcool anidro importado adicionado à gasolina pelo
distribuidor quando este for importador, hipótese em que não há tributação
nessa adição pelas distribuidoras. “Tal proposição tem a finalidade de
equalizar a incidência tributária entre o produto nacional e o produto
importado”, diz a nota.
A MP entra em vigor no quarto mês
após a publicação no Diário Oficial da União. Segundo a Presidência, o prazo
visa propiciar aos estados tempo suficiente para adequação à mudança proposta
para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),
que é estadual. O prazo também atende ao princípio da anterioridade
nonagesimal, que determina que o Fisco só pode exigir um tributo instituído ou
aumentado após 90 dias da data em que foi publicada a lei que os instituiu ou
aumentou.
Está em tramitação na Câmara dos
Deputados, pronto para ser votado em plenário, o Projeto de Lei Complementar
11/20, que prevê a apuração do ICMS a partir de um valor fixo, definido em lei
estadual. Hoje, o ICMS é cobrado com base em um percentual que acompanha o
preço dos combustíveis na bomba.
Fonte: JP Agora.