
(Foto: Agência Brasil)
Já está valendo
o aumento no preço do botijão do gás de cozinha em Belo Horizonte, que subiu
5,9 % nas distribuidoras, de acordo com anúncio feito pela Petrobrás. Até o fim
do ano, o valor do botijão de 13 kg, o mais comum usado nas casas brasileiras,
pode chegar a R$ 200.
Na pesquisa do
site Mercado Mineiro, o botijão de 13 kg na Grande BH custava, no início do
ano, em média, R$ 84,81. Agora, o mesmo produto sai por R$ 92,38, um aumento de
9%.
A agente comunitária de saúde Michele Soares
está mudando o cardápio para dar conta de pagar o gás. “Está muito caro. Está
caro demais. Vou comer menos feijão para não gastar o gás cozinhando com ele”,
revela.
A dona de casa Alessandra Soares também está
buscando outros meios para tentar economizar o gás. “Está muito caro. Estou
usando mais o microondas, o forno elétrico e o ebulidor. Mesmo assim, está
ficando caro”, explica.
Outro grupo que também está sentindo esse
aumento é o formado por donos de restaurantes. O empresário Renato José, dono
do restaurante Kilo Quente, localizado no bairro Lagoinha, na região Noroeste
de Belo Horizonte, diz não ter visto nada igual. “Já tem 27 anos que estou aqui
e nunca vi a situação apertada como está. Está muito apertado. A gente não sabe
nem como economizar mais”, lamenta.
O presidente da
Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito do Petróleo (Asmirg),
Alexandre Borjaili, explica o quanto é esse aumento na prática e quais fatores
colaboram para esse salto no preço.
“Esse é o quinto aumento só neste ano. A
Petrobras está aumentando em R$ 2,50 o equivalente a um botijão de 13 kg.
Paralelamente, as companhias e distribuidoras estão aumentando em R$ 1,50 em
função do ajuste de custo operacional. Então, a soma destes dois nos dá um
aumento real, hoje, ao consumidor de R$ 4. Além disso, vem os aumentos do ICMS,
que são impostos estaduais”, esclarece.
Alexandre Borjaili fala ainda sobre uma
suposta ilusão em relação aos preços adicionais no gás: “Uma questão muito
divulgada pelos nossos governos é que acabando com o imposto vai reduzir o
preço do gás. Não acreditamos. O governo federal tirou a alíquota de PIS e
Cofins e nenhum centavo chegou ao consumidor. O produtor hoje extorque a nação,
vendendo um produto por um preço extremamente abusivo”.
O presidente da Asmirg fala sobre novos aumentos até o fim do ano. “As revendas
estão fechando em praticamente quase todos os Estados do Brasil. Mantemos a
nossa previsão do gás chegar até o fim do ano entre R$ 150 a R$ 200. É o que
estamos vendo. Não há governo ou agência de defesa do consumidor preocupados e
empenhados em monitorar, reduzir ou estancar esse caos que gerou dentro do
setor do gás de cozinha”, lamenta.
Fonte: Rádio Itatiaia