O futuro da advogada Natália Burza Gomes Dupin, 36, presa na tarde desta quinta-feira (5) suspeita de cometer injúria racial contra um taxista no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, deve ser decidido neste sábado (7) em audiência de custódia no Fórum Lafayette, no bairro Barro Preto. A informação foi confirmada pela defesa da mulher, que ainda não quis se pronunciar sobre o caso. Em caso de condenação, a advogada pode pegar entre um e três anos de prisão.
Ainda não foi definido o horário da audiência, segundo a defesa. Natália foi indiciada pela Polícia Civil por injúria racial, e não racismo. Frente as leis brasileiras, há traços que diferenciam os crimes. Segundo o código penal, injúria racial é a tipificação usada em casos de ofensas direcionadas a alguém e que valem-se de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem. É um crime afiançável e prescritível e, em caso de condenação, a pena é de um a três anos de prisão. Já o racismo é todo aquele xingamento, ofensa ou agressão direcionadas a uma coletividade, a integralidade de uma raça. É inafiançável e imprescritível e a pena de reclusão pode variar entre três e cinco anos.
O taxista Luís Carlos Alves Fernandes, de 51 anos, estava no ponto de táxi na avenida Álvares Cabral quando foi vítima de racismo pela primeira vez em 17 anos de profissão. Ao ser questionada pelo motorista se precisava de uma corrida, Natália disse que não andaria com um negro.
De acordo com Fernandes, a mulher, muito exaltada, afirmou ser racista e chegou a cuspir nele. “Eu estava no ponto de táxi e a vi atravessando com o pai dela. Ela estava agredindo-o com palavras, passou olhando dentro dos carros, e eu perguntei, por educação, lógico, se ela estava precisando de táxi. Aí ela respondeu: ‘Precisando eu estou, mas eu não ando com negro, eu sou racista, sou racista mesmo’, e ela ainda deu uma cusparada nos meus pés”, contou o taxista.
Foi Fernandes quem chamou a polícia imediatamente após o ocorrido. Outros taxistas que estavam no local se recusaram a deixar que a mulher seguisse viagem até que uma guarnição chegasse. Populares que estavam na avenida ainda tentaram agredi-la.
“Não pode deixar passar, não. É assim que vamos combater esse tipo de coisa. Em pleno século XXI acontecer uma coisa dessas, não podemos deixar, não. Eu quero é justiça. Eu nunca passei por isso. É a primeira vez. A gente acompanha no jornal e fica triste. Quando acontece com a gente é que vemos a dor que sentimos, mas isso não vai me abalar”, disse Fernandes.
Por O Tempo